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O terapeuta é um xamã?

  • Foto do escritor: Psicólogo Diêgo Melo
    Psicólogo Diêgo Melo
  • 26 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de jan. de 2022


Falar de trabalhos terapêuticos é falar de antropologia. Em todas as culturas das quais se tem registros ou estudos, uma característica comum são os rituais e pessoas responsáveis pelo tratamento e cura das pessoas da região.

Nos fim do século XIX James e Wundt iniciaram um trecho da história recente humana que por alguns é considerada o surgimento da Psicologia como ciência. Semelhante origem da Musicoterapia é contada por relatos de músicos que tocavam em hospitais no pós-guerra na década de 40 nos EUA.

Contudo, a visão de ciência como um saber ocidental e diferenciado das crenças e religiões hoje em dia não é aceita com a superioridade simplória que o homem branco acadêmico se autoproclamava como único saber válido.


O que quero dizer é que tratar dos sofrimentos "interiores" e a utilização da música como elemento terapêutico não pode ser resumido em pouco mais de 100 anos pra Psicologia ou 70 anos pra Musicoterapia. Estes temas são relatados na Grécia e em tradições tribais por todo o globo, algumas com registros de milênios.


Da mesma forma que a tradição milenar da acupuntura até poucos anos atrás era vista como feitiçaria oriental e hoje integra o rol das práticas clínicas aceitas pela comunidade científica, a utilização da palavra como cura, da arte, da meditação, de exercícios físicos e da música, passou pelo mesmo crivo de aprovação.


Imagine como seria alguém dizer que um médico ou terapeuta poderia ajudar o sofrimento psíquico de seus pacientes apenas através da escuta e de teorias que não estavam no nível das comprovações diretas e físicas.


A verdade é que a crença também integra a ciência. Sobretudo em assuntos os quais não são facilmente corroborados por aparelhos detectores. Como estabelecer métricas para sentimentos, pensamentos e aflições da alma? Milhões de escritos e pesquisas sobre a área, avanços tecnológicos impressionantes, e cá estamos nós terapeutas ainda lidando com o impalpável e o intuitivo.


Acontece que a própria tecnologia e ciência exata como a física chegaram ao limite do que pode ser determinado objetivamente como uma molécula e suas interações químicas previsíveis.

A física teórica chegou ao reino do indeterminado e que está em constante movimento, e é nesse fluxo incerto mas intuitivo, que embora com as mais diferentes técnicas e teorias, nós terapeutas buscamos com o que está ao nosso alcance intelectual e humano proporcionar cura e transformações de sofrimento em superação, todo terapeuta tem um objetivo em comum, vivificar o prazer de viver. Me diga então você caro leitor, que ainda que todas as técnicas e ciências continuem a se transformar, não se trata de algo do nível da alquimia, da magia, do mistério. Pois tomos foram escritos sobre células, moléculas, números, forças e medidas, mas ainda a aventura do viver humano permanece como iceberg submerso na dimensão do indizível.

 
 
 

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