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#2 Escrita Terapêutica

  • Foto do escritor: Psicólogo Diêgo Melo
    Psicólogo Diêgo Melo
  • 6 de mar. de 2022
  • 4 min de leitura

Aqui nestes escritos para um público ainda inexistente, digo ainda pois espero um dia partilhar mais meus eus com outros eus, vou digitando laços, arriscando tempos, cultivando sonhos vindouros, na espera de que meu sucesso mantenha o meu processo.

Já me vejo menos radical. Antes queria que tudo que eu criasse fosse meio inacabado, longe da estética do produto finalizado, de algo mercalizável. Cria eu que como um ramo solitário um dia alcançaria outras únicas lutas mundo afora. Na esperança de engendrar como co-multi-trans-autor deste movimento que creio estar vindo.

É um esgotamento do vendável, uma sede irresistível pelo único e irrepetível. Algo que não se armazena ou compra ou acumula. Como cada respiração e sentimentos marcantes aos quais sempre buscamos retornar. Penso eu que o show de 1 pra 1000000 vai desbalancear, mas não de igual pra todos, mas ao menos que um grupo participe no show além de menos espectadores. Como em transição. Até que a arte seja vista como fazer, e não como feito. A arte terá seu consumo extinto, e então alçará voos rumo à Transcendência do Instante.

Vejo o culto de nós fãs ao seus ídolos artistas ou pensadores. Influencers. Por quê ainda a transição em curso? Por quê um sobe ao palco e milhares assistem? Por quê a música considerada bonita é a que fora repetida inúmeras vezes até chegar uma tal perfeição?

Acho que a noção de perfeição pela exaustão é algo cultural e quiçá diria masculino. Não geramos um ser dentro em nós, não sabemos o que é sentir-se apenas veículo e ao mesmo tempo co-criador de um organismo. É muito distante nossa relação, da sementinha ao bebê nascendo. Neste interim ela sente a gestação a cada momento de cada dia e seu corpo visceral está envolvido, não há separação, mas sim também há separação. A mãe é uma a criança é outra. Quão poucas reflexões aprofundadas sob este prisma da mulher eu vi na vida? Quase ou nada.

A liderança hierárquica, a imposição pela força, o aprimoramento pela repetição e idealismo, a arte como deixar algo pronto como a mãe deixa a criança, a ciência racional explicativa linear justificatória e comprobatória por repetição e exaustão, a organização de cargos e divisão de trabalho pré-definida e piramidal, a noção de que o mais sublime é aquilo que se mostra fruto de muito esforço ou ilusão de ser algo único, e muitas outras "verdades" e costumes assumidos hoje são culturais e masculinos. Ao passo que o 3°Milênio é visceral e feminino.

Neste sentido o Jazz, a dança contemporânea intuitiva e orgânica, a música erudita do século XX, a situação limítrofe do clima e do risco nuclear de extinção, os movimentos sociais e a revisão de valores, a complexidade ao nível de que não temos mais a ilusão de controlar a vida a informação os planos os valores, é preciso outro referencial que apenas o do poder e da força física, a pluralidade exponencial, a espiritualidade rizomática (ramificada ao Infinito), as artes abstratas, as artes absurdas onde o sentido toma outro norte(sul), a valorização do minimalístico (cozinha, luta, sobrevivência, tic-tocs, frases em vez de livros), este mínimo pode ser entendido como a máxima budista que diz ser melhor praticar bem um princípio espiritual do que saber de todos os estudos e não praticar bem nenhum.... que mais posso dizer? A epistemologia que é o estudo de como se pode construir conhecimento e o que é conhecimento afinal? É de grupos da sociedade, de uma elite, é o conhecimento que vale como mercadoria, que melhore a vida, que dê sentido a vida? O que é a ciência? Será que apenas a explicação do que existe no mundo? porém cada explicação é uma criação e tem em si um papel além do de descrever o mundo observável. O saber é uma obra e como qualquer obra tem jeito sentido função limitações e serventias próprias, não é uma coisa acima de todas as culturas e religiões, acima de quaisquer saberes populares, é tão inacabado e de função específica e restrita a um contexto social quanto os saberes de uns profetas da chuva. Há benefícios em escalas e contextos diferentes, mas não é a verdade suprema a quais todos devem se subjugar. Se isso foi mal interpretado pelos terraplanistas e antivax people da vida, aí são outros quinhentos... Há questões éticas e crenças diversas, estes absurdos neoliberais hiperracionais, onde a ética do sensível da empatia e do bem comum sede à justificativas conspiracionistas nos ajuda a pensar: o que determina um saber ser verdade ou não? Muito se escreve no mundo filosófico e científico sobre isso eu diria há milênios, e a pergunta ainda não encontrou resposta definitiva no Reino das palavras. TalveZ por isso devêssemos aspirar por outros reinos, estes que transcendem a lógica simplista racional, e dão espaço ao intuitivo e óbvio essencial.

Sigamos....


P.s.

Outro exemplo da busca pelo valor inestimável do único simples e irrepetível instante: redes de encontros fortuitos e aleatórios, as NFTs, o esporte de feitos aparentemente impossíveis como acertar o arremesso de uma bola de pingpong na ponta de um alfinete preso em uma ventilador de teto ligado....

E em paradoxo tudo hoje parece poder ser gravado armazenado e repetido quantas vezes quiser, nada é passageiro tudo pode ficar gravado em um HD...

sigamos...


 
 
 

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©2022 PSICÓLOGO DIÊGO MELO OLIVEIRA,  criador do SOTOCANDO - Alquimia Sonora, e do Festival RIZOMA. Site DIY with Wix.com

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